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Seis perguntas que deveriam ser feitas a Neil Ferguson

O que ainda precisava ser seriamente explicando antes que governos alterassem drasticamente a vida de todos
Seis perguntas que deveriam ser feitas a Neil Ferguson
Arte sobre o original de The Spectator

Seis perguntas que deveriam ser feitas a Neil Ferguson

The Spectator

Eis o relato de duas entrevistas no Programa Today na manhã de 16 de abril na TV britânica. Primeiro apareceu no programa Neil Ferguson, professor de biologia matemática no Imperial College, de Londres, que foi peça fundamental na formulação da resposta que o Reino Unido deu à crise do vírus chinês, e cuja projeção do espalhamento do vírus levou à imposição de bloqueio social.

Durante a entrevista, ao professor Ferguson foram feitas perguntas de forma quase protocolar pela apresentadora Sarah Smith, haja vista que os seus pontos de vista foram recebidos quase como dogmas religiosos, que o professor declarou que um "nível significativo" de distanciamento social poderia ser mantido indefinidamente até que uma vacina se tornasse disponível.

Entrementes, entrou o Secretário de Saúde, Matt Hancock... Como seria de esperar, ele foi tratado do jeito tradicional pelo programa com ataques diretos a si, uma vez que seus apontamentos e falas a respeitos de testes, o crescente surto de vírus em casas de repouso e EPIs foram sendo escrutinados por Nick Robinson.

Enquanto alguns acham justo que Hancock seja sabatinado com perguntas difíceis, o autor deste texto não pode deixar de se perguntar se Ferguson não deveria receber o mesmo tratamento. No fim das contas, é o seu conselho que está influenciando fortemente a política de saúde do governo e, portanto, o mais justo seria ele enfrentar um nível de arguição semelhante. Além disso, o trabalho científico de Ferguson não pode ser descrito exatamente como à prova de balas.

Visto que a tendência atual é de ex-aproveitadores, ineptos e políticos fazerem perguntas que a mídia não está perguntando aos políticos no momento, alguns decidiram moldar fala no discurso público enumerando alguns tópicos singelos para Neil Ferguson responder. De outra parte, seguem abaixo seis dúvidas que o autor deste texto gostaria de ver colocadas diante de Neil Ferguson na próxima vez em que ele participe duma entrevista em qualquer meio de comunicação:
 
Questão 1: Em 2005, Ferguson disse que até 200 milhões de pessoas poderiam morrer em decorrência de gripe aviária. Ele disse ao Guardian - periódico britânico - que "cerca de 40 milhões de pessoas morreram em 1918 por causa do surto de gripe espanhola... Como há seis vezes mais pessoas no planeta agora, então você pode escalá-lo para cerca de 200 milhões de pessoas." No final, apenas 282 pessoas morreram no mundo todo da doença entre 2003 e 2009. Como ele conseguiu fazer essa previsão tão errada?
 
Questão 2: Em 2009, Ferguson e sua equipe previram que a gripe suína apresentaria taxa de mortalidade de 0,3% a 1,5%. Sua estimativa mais provável era que a taxa de mortalidade seria de 0,4%. Uma estimativa do governo, baseada no prognóstico de Ferguson, afirmava que um "provável pior cenário" seria de que a doença pudesse causar 65.000 mortes no Reino Unido.

No fim, a gripe suína matou 457 pessoas no Reino Unido e teve uma taxa de mortalidade de apenas 0,026% de pessoas infectadas.

Por que a equipe do Imperial College superestimou a letalidade da doença? Ou, usando as palavras de Robinson a Hancock durante a entrevista: "não seria essa previsão apenas um absurdo"? Foi um absurdo perigoso.
 
Questão 3: Em 2001, a equipe do Imperial College fez previsões sobre a febre aftosa que indicavam que os animais nas fazendas de determinada circunvizinhança fossem abatidos, posto que não houvesse evidências reais de infecção. Isso culminou na política estatal que levou ao abate de mais de seis milhões de bovinos, ovinos e suínos, no total, representando um custo estimado em 10 bilhões de libras (mais de 54 bilhões em reais, nos dias atuais) para a economia do Reino Unido.

Foi afirmado por especialistas como Michael Thrusfield, professor de epidemiologia veterinária na Universidade de Edimburgo, que as projeções da febre aftosa, de Ferguson, estava "severamente comprometida", pois cometia o "erro grave" de "ignorar as várias espécies de animais nas fazendas" e o feito de que a doença alastrava-se mais rápido entre diferentes espécies.

Mas Neil Ferguson reconhecou que o seu modelo 2001 era defeituoso e, se sim, teria ele tomado medidas para evitar erros futuros?
 
Questão 4: Em 2002, Ferguson previu que entre 50 e 50.000 pessoas provavelmente morreriam por exposição à doença da vaca louca na carne bovina. Ele também previu que esse número poderia subir para 150.000 se também houvesse uma epidemia de ovelhas. No Reino Unido, houve apenas 177 mortes pela doença.

Ferguson acredita que a sua previsão para "pior cenário" nesse caso foi muito alta? Se sim, quais lições ele aprendeu  desde então?
 
Questão 5: As projeções de Ferguson para o Covid-19 foram criticadas por especialistas como John Ioannidis, professor de prevenção de doenças, da Universidade de Stanford, que asseverou que: "O estudo do Imperial College foi realizado por uma equipe altamente qualificada de técnicos. No entanto, algumas das principais suposições e estimativas construídas nos cálculos parecem estar sobremaneira infladas".

O modelo da equipe do Imperial College para o Covid-19 foi submetido a escrutínio de outros especialistas e, bem assim, a equipe está revendo as suas próprias premissas? Que garantias existem?
 
Questão 6: Em 22 de março de 2020, Neil Ferguson disse que o modelo de evolução do Covid-19, do Imperial College de Londres, estava baseado num código de computador, que não tem documentação, já com 13 anos de idade e que foi projetado em vista duma temida pandemia de influenza e não para coronavírus, pois as cadeias de código genético ARN são de tipos distintos.

Quantas as premissas no modelo do Imperial College ainda levam em conta o vírus influenza e há risco de que as projeções estejam equivocadas devido a essas premissas?

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Eis o relato de duas entrevistas no Programa Today na manhã de 16 de abril na TV britânica. Primeiro apareceu no programa Neil Ferguson, professor de biologia matemática no Imperial College, de Londres, que foi peça fundamental na formulação da resposta que o Reino Unido deu à crise do vírus chinês, e cuja projeção do espalhamento do vírus levou à imposição de bloqueio social.

Durante a entrevista, ao professor Ferguson foram feitas perguntas de forma quase protocolar pela apresentadora Sarah Smith, haja vista que os seus pontos de vista foram recebidos quase como dogmas religiosos, que o professor declarou que um "nível significativo" de distanciamento social poderia ser mantido indefinidamente até que uma vacina se tornasse disponível.

Entrementes, entrou o Secretário de Saúde, Matt Hancock... Como seria de esperar, ele foi tratado do jeito tradicional pelo programa com ataques diretos a si, uma vez que seus apontamentos e falas a respeitos de testes, o crescente surto de vírus em casas de repouso e EPIs foram sendo escrutinados por Nick Robinson.

Enquanto alguns acham justo que Hancock seja sabatinado com perguntas difíceis, o autor deste texto não pode deixar de se perguntar se Ferguson não deveria receber o mesmo tratamento. No fim das contas, é o seu conselho que está influenciando fortemente a política de saúde do governo e, portanto, o mais justo seria ele enfrentar um nível de arguição semelhante. Além disso, o trabalho científico de Ferguson não pode ser descrito exatamente como à prova de balas.

Visto que a tendência atual é de ex-aproveitadores, ineptos e políticos fazerem perguntas que a mídia não está perguntando aos políticos no momento, alguns decidiram moldar fala no discurso público enumerando alguns tópicos singelos para Neil Ferguson responder. De outra parte, seguem abaixo seis dúvidas que o autor deste texto gostaria de ver colocadas diante de Neil Ferguson na próxima vez em que ele participe duma entrevista em qualquer meio de comunicação:
 
Questão 1: Em 2005, Ferguson disse que até 200 milhões de pessoas poderiam morrer em decorrência de gripe aviária. Ele disse ao Guardian - periódico britânico - que "cerca de 40 milhões de pessoas morreram em 1918 por causa do surto de gripe espanhola... Como há seis vezes mais pessoas no planeta agora, então você pode escalá-lo para cerca de 200 milhões de pessoas." No final, apenas 282 pessoas morreram no mundo todo da doença entre 2003 e 2009. Como ele conseguiu fazer essa previsão tão errada?
 
Questão 2: Em 2009, Ferguson e sua equipe previram que a gripe suína apresentaria taxa de mortalidade de 0,3% a 1,5%. Sua estimativa mais provável era que a taxa de mortalidade seria de 0,4%. Uma estimativa do governo, baseada no prognóstico de Ferguson, afirmava que um "provável pior cenário" seria de que a doença pudesse causar 65.000 mortes no Reino Unido.

No fim, a gripe suína matou 457 pessoas no Reino Unido e teve uma taxa de mortalidade de apenas 0,026% de pessoas infectadas.

Por que a equipe do Imperial College superestimou a letalidade da doença? Ou, usando as palavras de Robinson a Hancock durante a entrevista: "não seria essa previsão apenas um absurdo"? Foi um absurdo perigoso.
 
Questão 3: Em 2001, a equipe do Imperial College fez previsões sobre a febre aftosa que indicavam que os animais nas fazendas de determinada circunvizinhança fossem abatidos, posto que não houvesse evidências reais de infecção. Isso culminou na política estatal que levou ao abate de mais de seis milhões de bovinos, ovinos e suínos, no total, representando um custo estimado em 10 bilhões de libras (mais de 54 bilhões em reais, nos dias atuais) para a economia do Reino Unido.

Foi afirmado por especialistas como Michael Thrusfield, professor de epidemiologia veterinária na Universidade de Edimburgo, que as projeções da febre aftosa, de Ferguson, estava "severamente comprometida", pois cometia o "erro grave" de "ignorar as várias espécies de animais nas fazendas" e o feito de que a doença alastrava-se mais rápido entre diferentes espécies.

Mas Neil Ferguson reconhecou que o seu modelo 2001 era defeituoso e, se sim, teria ele tomado medidas para evitar erros futuros?
 
Questão 4: Em 2002, Ferguson previu que entre 50 e 50.000 pessoas provavelmente morreriam por exposição à doença da vaca louca na carne bovina. Ele também previu que esse número poderia subir para 150.000 se também houvesse uma epidemia de ovelhas. No Reino Unido, houve apenas 177 mortes pela doença.

Ferguson acredita que a sua previsão para "pior cenário" nesse caso foi muito alta? Se sim, quais lições ele aprendeu  desde então?
 
Questão 5: As projeções de Ferguson para o Covid-19 foram criticadas por especialistas como John Ioannidis, professor de prevenção de doenças, da Universidade de Stanford, que asseverou que: "O estudo do Imperial College foi realizado por uma equipe altamente qualificada de técnicos. No entanto, algumas das principais suposições e estimativas construídas nos cálculos parecem estar sobremaneira infladas".

O modelo da equipe do Imperial College para o Covid-19 foi submetido a escrutínio de outros especialistas e, bem assim, a equipe está revendo as suas próprias premissas? Que garantias existem?
 
Questão 6: Em 22 de março de 2020, Neil Ferguson disse que o modelo de evolução do Covid-19, do Imperial College de Londres, estava baseado num código de computador, que não tem documentação, já com 13 anos de idade e que foi projetado em vista duma temida pandemia de influenza e não para coronavírus, pois as cadeias de código genético ARN são de tipos distintos.

Quantas as premissas no modelo do Imperial College ainda levam em conta o vírus influenza e há risco de que as projeções estejam equivocadas devido a essas premissas?

Fonte

The Spectator

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