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Ex-assessor de Trump compara PF aos nazistas após ser parado em aeroporto

Miller comparou Alexandre de Moraes com a juíza progressista da Suprema Corte dos EUA Sonia Sotomayor.

Ex-assessor de Trump compara PF aos nazistas após ser parado em aeroporto
CRÉDITO,REUTERS- Bannon já foi considerado um dos homens mais influentes da administração de Trump
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Jason Miller, o ex-porta-voz de Donald Trump e CEO da rede social GETTR, deu uma entrevista na quarta-feira (08/09) ao programa War Room de Steve Bannon, também ex-assessor de Trump, sobre o interrogatório a que foi submetido pela Polícia Federal, no aeroporto de Brasília, em sete de setembro.

A Bannon ele disse que temeu ser mandando a uma "Guantánamo brasileira", afirmou que o STF é uma "mistura de Departamento de Justiça com FBI e tudo o mais" e chamou os agentes da Polícia Federal que atuam nos inquéritos do STF de "gestapo", a polícia secreta da Alemanha Nazista.

Miller, que veio ao Brasil dar uma palestra em evento conservador e propagandear sua plataforma online que tem atraído a direita global, foi ouvido no âmbito dos inquéritos das Fake News e dos Atos anti-democráticos, ambos conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes.

O interrogatório do ex-porta-voz de Trump enfureceu o presidente Jair Bolsonaro, que afirmou em discurso na avenida Paulista que Moraes "interceptou um cidadão americano para ser inquirido". Para Miller, ser citado por Bolsonaro no discurso, "foi uma das maiores honras da minha vida".

Ao comentar as manifestações pró-governo, Bannon afirmou que havia entre 3 e 4 milhões de pessoas na avenida Paulista. A Polícia Militar de São Paulo estimou o público em 125 mil pessoas.

Tanto Bannon quanto Miller são dois ex-auxiliares de Trump que mantêm relações cada vez mais próximas com a família Bolsonaro. Bannon já disse considerar a eleição do Brasil "a segunda mais importante do mundo".

'Homens do Lula'

Nesta quarta-feira, ele disse se tratar de "um evento global", cujo resultado está "intrinsecamente ligado" às eleições para o Congresso americano de 2022 nos EUA. No mesmo programa, chamou Bolsonaro de "Trump dos Trópicos" e afirmou que os ministros do Supremo Tribunal Federal "são todos homens do Lula".

"Ele são todos homens do Lula, certo? Esses são todos de esquerda, que soltaram da prisão um criminoso marxista transnacional para tentar derrotar o nacional-populista Bolsonaro", disse Bannon, em uma alusão à anulação pelo STF dos processos da Lava-Jato contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o principal adversário de Bolsonaro no pleito de 2022.

Da atual composição da Corte, no entanto, apenas três dos 11 ministros foram indicados por Lula. O principal antagonista de Bolsonaro, Alexandre de Moraes, foi uma indicação de Michel Temer.

Steve Bannon

CRÉDITO,REUTERS- Legenda da foto, Bannon já foi considerado um dos homens mais influentes da administração de Trump

Miller comparou Alexandre de Moraes com a juíza progressista da Suprema Corte dos EUA Sonia Sotomayor. "Imagine se Sonia Sotomayor tivesse os poderes de ser juíza, investigadora e executora da pena. É tão louco, eu ouvi sobre isso o tempo todo em que estive lá", afirmou Miller, que se encontrou com o presidente Jair Bolsonaro, e seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Nos discursos em sete de setembro, Bolsonaro disse expressamente que não pretende mais cumprir ordens judiciais de Morais.

À audiência americana, Miller deu uma explicação sobre o sistema judicial brasileiro. "Quando nós falamos em lutar contra a máquina estatal, quando falamos em lutar contra as elites globais, a burocracia, deixe-me dizer o quão louco é o sistema no Brasil. Os brasileiros são ótimas pessoas. O presidente Bolsonaro é fantástico. Milhões de excelentes patriotas. Seus juízes da Suprema Corte, entretanto, efetivamente têm o poder do DoJ (Departamento de Justiça), do FBI e de tudo o mais".

"Há uma preocupação genuína com essa Gestapo, essa polícia secreta que trabalha para o Supremo Tribunal. Porque, como eu disse, o juiz do Supremo Tribunal pode usar a lei para te perseguir e ter investigações secretas. Eles podem fazer e eles fazem. Realmente é um outro nível", afirmou Miller.

A BBC News Brasil entrou em contato com Miller, mas ele não respondeu até a publicação desta reportagem. Seus advogados afirmaram em nota que ele segue à disposição das autoridades brasileiras.

Segundo Miller, os investigadores da PF disseram que cumpriam ordens de Moraes e começaram a fazer perguntas, em um diálogo que ele descreveu assim: "(PF:)Para quem você trabalha? (Miller:) Eu sou o CEO da GETTR. (PF:)Quem te paga? (Miller:) Minhas finanças não são da sua conta (PF:)Quem são seus aliados aqui? Queremos que você liste os nomes de todos que estão aqui te ajudando". Nesse ponto, de acordo com Miller, ele pediu para ligar para a embaixada americana e chamar um advogado. O STF e a PF não comentaram o caso.

Com informações de Mariana Sanches - @mariana_sanches da BBC News Brasil em Washington

 
 
FONTE/CRÉDITOS: https://www.bbc.com/
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